domingo, 17 de abril de 2011

Lolita

Deixei-me mostrar pela metade.
É, eu sei, mulheres são tolas
Permanecem na fantasia erótica do outro
mesmo depois de experimentar
ser Mulher.
O que ele queria era a Mulher
Era EU.

E fechei a cortina...
Fechei a cortina para fazer mistério,
Ele não entendeu que era pra entrar
e tomar-me sua.
Ele não viu nada além de minha silhueta.
Era pra ser espontâneo
o que foi teatral.
Eu quis fazer amor,
Mas você estava só a me olhar pela cortina.
como se não pudesse mais me tocar
Ele me velou
ele me admirava
sorria e trazia chocolates
Mas não me tocava como Mulher.
Fui sua menina
Ele me protegeu de si mesmo
E eu só queria
Ser a Mulher...

Permiti que mexesse em mim
e me visse entre um balançar e outro
de uma brisa que soprava pela janela,
Mas não tocou-me.
Não atravessou a cortina
Sua mão deslizou pelo meu corpo,
Mas não o reconheceu maduro
De Mulher.
Ele via Lolita.
Queria a Mulher.
Mas fugia da Mulher
Pra se acomodar na insegurança
de Lolita
Sem porto.

Dormi.
Estava exausta
Lamentei não ter ido pra cama com ele,
assim, como sou
além da cortina
Mulher.

Quando acordei,
era noite,
chovia,
não havia luz elétrica.
vesti uma camisa velha que estava pendurada na porta
E ele havia ido embora.
Sem me conhecer.

Me aproximei da janela,
ascendi um cigarro,
Ele me viu
Sem nada que turvasse a visão
Mas estava longe...
Permaneci ali,
parada, desejando tudo sem pedir nada
em troca.
Ele só via Lolita
E queria a Mulher.

Deu-me um sorriso menino
Aquele de quem nunca viu
uma mulher nua
Mas ele se virou, atravessou a rua
E partiu sem saber
que meu nome era EU
A Mulher.

Ele só via Lolita.

2 comentários:

Brener Alexandre disse...

Poema muito interessante. acho que homens meninos e mulheres lolitas tem aos montes por aí... como na dialética do senhor e do escravo, estamos sempre querendo que adivinhem o que desejamos... é.. professor Amauri tem razão... relação entre adultos é mesmo relação de tensão!

abraços

A. Menezes (!?) disse...

Pois é!! A maturidade nem sempre acompanha a leveza de ser, pois ficamos mais sérios e menos dispostos a se mostrar (complexo da autoconservação), o que demanda aquela inocência de criança, que não tem medo de tentar...