quarta-feira, 11 de julho de 2007

O umbigo do mundo

O despertar de um refugiado há tanto tempo em meu desejo de encontrar a Beleza, demarcou novas perspectivas e dissipou pseudo necessidades alimentadas por uma tênue carência do elixir da vida.
O movimento harmonioso do acaso revelou-me a maturidade (?) e desprendimento (?) necessários - porém, excessivamente infrequente na manada - ao vislumbre do amor que não exige nada além do prazer (e, por que não, desprazer?), da linguagem equilibrada entre contornos e diálogos intermitentes.
Nada além de vivê-lo, senti-lo, absorve-lo e expeli-lo no odor envolvente do corpo - velado pelo mistério ou desmontado em emoções substancialmente desconhecidas. Não há palavras suficientes que descrevam tamanha magnitude ...
O desejo, evidentemente sedutor, não corrompe, nem dissimula falsos contratos arraigados à conveniência, à imagem de uma paixão engarrafada a qual deve-se embebedar. Nada disso: dissipa o lugar comum, enaltece a criatividade típica de um artista em transformar o que seria praxis do cotidiano em poemas jamais declamados anteriormente. A proximidade exacerbada é vã: não abstrai a Beleza de se extasiar a cada momento.
Isso tudo talvez aparente demasiada ostentação à subjetividade, presa à busca de uma felicidade que não se sustenta apenas no encontro, no encaixe temporal de corpos que na realidade revela-se intangível, mediante a repetição incessante de movimentos que esperam expressar o que deveras é sublime.
Entretanto, não deixa de imprimir uma objetividade atípica às relações que vislumbram um espetáculo representativo do que nunca se identifica. Eis o embate entre amor e ódio - a dificuldade de compreender que o egoísmo e a pretensão de uma união fechada na mesmice acaba com a liberdade de poder encontrar em cada milésimo de segundo algo que atraia a atenção. Daí figura-se o que de fato não é traição: ceder a tentação de ser livre, desprender-se do absurdo de fechar-se em uma esquife efeitada de flores mortas!
Lamento por você, leitor, que talvez estimula tamanho despautério. Na simplicidade do afago incomum, sinto-me privilegiada por estar fadada a ser livre... Mesmo com toda dor...